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2018 o ano que não acabou

quinta-feira, 11 de julho de 2019
Posted by Ótica Singular

Depois do pleito, pensávamos no fim, que o país iria se pacificar, a “alma” do brasileiro iria retornar, e as pessoas iriam seguir como em qualquer outro contexto. #Sóquenão, o que ocorreu assim como nos EUA, o presidente governa como se a campanha continuasse, governa para os seus, governa para alguns, além de verbalizar preconceitos de toda ordem como sempre fez. (Mais Maia, e menos coiso pra variar, mas segue..) Os ministros tão loucos como ele, as piadas tão preconceituosas como antes, o show que a democracia se transformou se tornou extremamente nocivo, com esses artistas, mas principalmente os que se dizem anti sistema ganham mais espaço. Alguém que foi político por mais de 20 anos, como pode? Faço a mesma pergunta!E nessa onda entrou todo tipo de gente.
As pessoas são ruins, egoístas, alienadas ou “verdadeiras”. A percepção de que o Bolsonaro não é apenas um homem, é reflexo das pessoas que conhecemos, amamos ou achamos quem elas são, as pessoas são o que são. Elas precisam ser estimuladas, encorajadas a se dedicar a uma causa coletiva e/ou em causa própria. Causa que encontram no atual presidente. Isso constrói ou destrói uma sociedade. O país julga que vai passar, mas não vai. Os afetos, os vínculos, todos os momentos que construímos achamos que irão perdurar. Nada perdura a tal situação. Estamos a flor da pele, em constante atrito, em irritações que todos os ecos do presidente vão nos deixar mais aflorados, e todos os sinais de anti democracia vai nos deixar mais silenciados, todo sinal de censura, deixa a gente mais assustado, e toda estupidez humana, vai sendo propagada, glorificada e mitificada. Onde Bertold Brecht diz: que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio? Democracia em vertigem, mostra de como as nossas paixões vãos sendo esmagadas, de uma forma sutil, irracional e programada. Sem entrar na articulação que derrubou a ex presidente Dilma Rousseff, e prendeu o ex presidente Lula, o que sobra é o que o atual presidente nos revelou. Que as pessoas gostam, pensam e querem ser livres! Livres para serem preconceituosas, livres para levar intolerância, livres para compartilhar o ódio como se fosse escolha de um time. Mais armas, mais coronelismo, mais desmatamento, mais maioria, mais culto ao mito, mais nacionalismo, mais subserviência a outras nações. A dificuldade no fundo é de admitir que nossos amigos, parentes e colegas são um pouco o retrato desse novo/velho país. Nesse Fla x Flu político, perdemos enquanto sociedade, nação e indivíduo na capacidade de conviver, de empatia e de progresso. Um relativismo raso que confunde intolerância com opinião. Um homem que se elegeu pregando o ódio, tem um pouco dele em cada brasileiro que julgávamos seres de paz. Não são a personificação do mal, mas em alguma faceta espelham um sinal de anti natural, anti integração, ou foca/fofoca da família tradicional brasileira que diz: quem deve ser contratado, quem deve ser pra se relacionar, quem deve ter boa aparência, quem eu quero próximo, quem é um bom par, quem deve ser eliminado. A relação política a partir de um momento fica mais latente. Para manter perto ou próximo, evitamos certos assuntos, para manter uma "paz armada", sem entrar no conflito propriamente dito. Uma reserva para evitar novas pessoas que venham a agredir a nossa existência, mas mantermos contato por um costume, uma carência, ou ideias que dizem que vale tudo; amigos acima de tudo, parentes acima de todos etc. Nada contra, mas...,o eterno “mas” que mata a gente. Acho que vivemos numa sociedade tóxica, além da crise econômica, além da incompetência do político citado, saber que as pessoas que amamos além do ódio, reproduzem seu pensamento, é saber que retrocedemos enquanto seres humanos e que o pensamento de seu avô e sua avó está mais vivo do que nunca, e as novas gerações acham que os anos 60 estão de volta, com uma pitada de intolerância moderna e internet. A diferença de posição política não é problema, o ódio que Bolsonaro criou, e/ou retirou de dentro dessas pessoas não vai se apagar, da mesma forma que o ódio que ele estimulou na massa que não votou nele é alimentada a cada twitter. Talvez as futuras gerações consigam criar um novo vinculo de afeto em que a política seja algo mais responsável, tolerável e respeite os direitos humanos. O intolerante é intolerável, segundo um pensador citado por minha professora de comunicação. Caminhamos para além dos frangalhos econômicos, destruição das nossas grandes empresas, o racha de nossa sociedade. A humanidade das pessoas que gostava foi roubada(ou não), elas são legais, simpáticas, toleráveis quando comparada a massa extremista bolsonarista (nem todos são de extrema direita). Me lembro de uma vez em que quase fui assaltado, e um cara falou que eu vou votar no Bolsonaro e com uma arma eu iria buscar, “resolver”isso. Se você está com raiva ou abalado, e buscando uma solução rápida, percebe que ai nasce o fascismo, em que surgem mitos e formulas mágicas. Minha raiva e a vontade de resolver o problema da insegurança, não pode ser maior do que a vontade de realizar uma política pública para todos, sem submeter ao meu ego, minha bolha ou minha perspectiva de mundo como a única, sem pensar, trabalhar e projetar algo para a coletividade. A política me deixa triste, a economia me deixa inseguro e a sociedade me torna um aprendiz. Decepção não mata, ensina a viver, e viver nessa realidade é a prova de que nada é eterno, pois temos ciclos de progresso e arcaico, lidamos com forças acima de nossa capacidade enquanto pobre, massa e proletário e que o tempo será juiz(justo dessa vez) e remédio que hoje a nossa democracia em vertigem sangra. Se nos aprendemos a odiar, também podemos aprender a amar.(Bob Marley). Difícil quando eles me odeiam, odeiam o que sou, odeiam minhas ideias, odeiam a diferença. O olho por olho e o mundo acabará cego. (Mahatma Gandhi)Então serão vários anos de escuridão, até que passe esse inverno eterno, pois o calor da política faz parecer ser eterno o verão, mas é o frio a melhor definição deste período, onde somente sopra o vento frio do coração gelado que há nos homens.