Archive for julho 2019
2018 o ano que não acabou
Depois do pleito,
pensávamos no fim, que o país iria se pacificar, a “alma” do
brasileiro iria retornar, e as pessoas iriam seguir como em qualquer
outro contexto. #Sóquenão, o que ocorreu assim como nos EUA, o
presidente governa como se a campanha continuasse, governa para os
seus, governa para alguns, além de verbalizar preconceitos de toda
ordem como sempre fez. (Mais Maia, e menos coiso pra variar, mas
segue..) Os ministros tão loucos como ele, as piadas tão
preconceituosas como antes, o show que a democracia se transformou se
tornou extremamente nocivo, com esses artistas, mas principalmente os
que se dizem anti sistema ganham mais espaço. Alguém que foi
político por mais de 20 anos, como pode? Faço a mesma pergunta!E
nessa onda entrou todo tipo de gente.
As pessoas são
ruins, egoístas, alienadas ou “verdadeiras”. A
percepção de que o Bolsonaro não é apenas um homem, é reflexo
das pessoas que conhecemos, amamos ou achamos quem elas são, as
pessoas são o que são. Elas precisam ser estimuladas, encorajadas a
se dedicar a uma causa coletiva e/ou em causa própria. Causa que encontram no atual presidente. Isso constrói
ou destrói uma sociedade. O país julga que vai passar, mas não
vai. Os afetos, os vínculos, todos os momentos que
construímos achamos que irão perdurar. Nada perdura a tal situação. Estamos a
flor da pele, em constante atrito, em irritações que todos os ecos
do presidente vão nos deixar mais aflorados, e todos os sinais de
anti democracia vai nos deixar mais silenciados, todo sinal de
censura, deixa a gente mais assustado, e toda estupidez humana, vai
sendo propagada, glorificada e mitificada. Onde Bertold Brecht diz:
que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio? Democracia
em vertigem, mostra de como as nossas paixões vãos sendo esmagadas,
de uma forma sutil, irracional e programada. Sem entrar na
articulação que derrubou a ex presidente Dilma Rousseff, e prendeu
o ex presidente Lula, o que sobra é o que o atual presidente nos
revelou. Que as pessoas gostam, pensam e querem ser livres! Livres
para serem preconceituosas, livres para levar intolerância, livres
para compartilhar o ódio como se fosse escolha de um time. Mais
armas, mais coronelismo, mais desmatamento, mais maioria, mais culto
ao mito, mais nacionalismo, mais subserviência a outras nações. A
dificuldade no fundo é de admitir que nossos amigos, parentes e
colegas são um pouco o retrato desse novo/velho país. Nesse Fla
x Flu político, perdemos enquanto sociedade, nação e indivíduo na
capacidade de conviver, de empatia e de progresso. Um relativismo raso
que confunde intolerância com opinião. Um homem que se elegeu
pregando o ódio, tem um pouco dele em cada brasileiro que julgávamos
seres de paz. Não são a personificação do mal, mas em alguma
faceta espelham um sinal de anti natural, anti integração, ou
foca/fofoca da família tradicional brasileira que diz: quem deve
ser contratado, quem deve ser pra se relacionar, quem deve ter
boa aparência, quem eu quero próximo, quem é um bom par, quem deve ser eliminado. A
relação política a partir de um momento fica mais latente. Para manter perto ou
próximo, evitamos certos assuntos, para manter uma "paz armada", sem
entrar no conflito propriamente dito. Uma reserva para evitar novas
pessoas que venham a agredir a nossa existência, mas mantermos
contato por um costume, uma carência, ou ideias que dizem que vale
tudo; amigos acima de tudo, parentes acima de todos etc. Nada contra,
mas...,o eterno “mas” que mata a gente. Acho que vivemos numa
sociedade tóxica, além da crise econômica, além da incompetência do político citado, saber que as pessoas que amamos além do ódio,
reproduzem seu pensamento, é saber que retrocedemos enquanto seres
humanos e que o pensamento de seu avô e sua avó está mais vivo do
que nunca, e as novas gerações acham que os anos 60 estão de
volta, com uma pitada de intolerância moderna e internet. A
diferença de posição política não é problema, o ódio que Bolsonaro
criou, e/ou retirou de dentro dessas pessoas não vai se apagar, da
mesma forma que o ódio que ele estimulou na massa que não votou
nele é alimentada a cada twitter. Talvez as futuras gerações
consigam criar um novo vinculo de afeto em que a política seja algo
mais responsável, tolerável e respeite os direitos humanos. O
intolerante é intolerável, segundo um pensador citado por minha
professora de comunicação. Caminhamos para além dos frangalhos
econômicos, destruição das nossas grandes empresas, o racha de
nossa sociedade. A humanidade das pessoas que gostava foi roubada(ou não),
elas são legais, simpáticas, toleráveis quando comparada a massa
extremista bolsonarista (nem todos são de extrema direita). Me lembro de uma vez em que quase fui
assaltado, e um cara falou que eu vou votar no Bolsonaro e com uma
arma eu iria buscar, “resolver”isso. Se você está com raiva ou
abalado, e buscando uma solução rápida, percebe que ai nasce o
fascismo, em que surgem mitos e formulas mágicas. Minha raiva e a
vontade de resolver o problema da insegurança, não pode ser
maior do que a vontade de realizar uma política pública para todos,
sem submeter ao meu ego, minha bolha ou minha perspectiva de mundo
como a única, sem pensar, trabalhar e projetar algo para a
coletividade. A política me deixa triste, a economia me deixa
inseguro e a sociedade me torna um aprendiz. Decepção não mata,
ensina a viver, e viver nessa realidade é a prova de que nada é
eterno, pois temos ciclos de progresso e arcaico, lidamos com forças
acima de nossa capacidade enquanto pobre, massa e proletário e que o
tempo será juiz(justo dessa vez) e remédio que hoje a nossa democracia em vertigem sangra. Se
nos aprendemos a odiar, também podemos aprender a amar.(Bob Marley).
Difícil quando eles me odeiam, odeiam o que sou, odeiam minhas
ideias, odeiam a diferença. O olho por olho e o mundo acabará
cego. (Mahatma Gandhi)Então serão vários anos de escuridão, até
que passe esse inverno eterno, pois o calor da política faz parecer ser
eterno o verão, mas é o frio a melhor definição deste período,
onde somente sopra o vento frio do coração gelado que há nos
homens.
