Archive for março 2018
Se se morre de amor – Parte 4
Caro leitor, não foi pensando em fazer 3 atos, nem falar
sobre as vidas passadas, presentes e futuras, mas chegamos até aqui por conta
das escolhas realizadas, por um dos últimos animais, sereno,
infantil, racional, lúdico e romântico. (Último Romântico, Lulu Santos)
Porque vos escrevo? Talvez em busca de respostas que não
estão nas bancas, prateleiras do mercado, num show qualquer, no trabalho, no
poder de compra, na imagem da mulher ideal. Mulher nota 1000, criada, de nossas
ficções, ilusões, hologramas da vida que projetam as expectativas/imagem/hegemônico/padrão/loira/alta/magra/olhos
azuis/modelada zona sul/ou barra/projetada/criada/herdada que alimenta as
expectativas, sonhos de consumo masculino. Tudo isso criação. Homem primata,
capitalismo selvagem. Ohhhh, (Homem Primata, Titãs) pensar que construímos
castelos de tipos ideais de certo e errado, bem e mal, sucesso e fracasso,
bonito e feio. O que seria bonito? A essência da alma ou o que alimenta os
olhos? Ou um meio termo? Ou apenas a hipocrisia, dissimulada de “gosto”, jeito,
destino, acaso? Sabemos disso e não controlamos, ou nos descontrolamos conforme
as emoções, desejos e afetos que o outro nos gera. Dentro desta bolha, desta
cela, moda, vestido de cetim, pensamos em uma batalha secular, que entre a
razão (imagem) e a emoção (o ser e sua personalidade), apenas dentro das
estruturas que fomos criados, nós lançamos ao desconhecido e buscamos achar um
ponto final nessa busca incessante do amor.
Se se morre de amor,
como Gonçalves Dias coloca em sua poesia? Eu
sei que vou te amar. Como na música de Vinícius ou no filme de Arnaldo Jabor?
Não deixar a rotina consumir, como no filme Como
se fosse a primeira vez. Ou Cidade
dos anjos que voltamos a uma abstração do realismo fantástico na busca do
divino, com a poesia parnasiana, ao encontro de um amor declamado pela métrica,
e expansivo e denso como o sobrenatural e mundo extra-sensorial que a
mortalidade nos apresenta. Nessa busca, nessas perguntas, nessas angustias, nessas
confusões, desilusões, decepções, de quem feriu e foi ferido, quem fez doer e
doeu, quem foi herói e bandido, vilão e mocinho, quem sentiu as dores do mundo,
num segundo que o coração era de gelo, derreteu e depois do segundo sol,
morreu.
Este momento de experiências, buscas e desalentos, o amor
parece algo distante e perto, pelas dores que queremos evitar, e pelos desejos
que alimentamos na alma. Então seguimos o itinerário da vida arriscando um
pouco mais e buscando com nossas armaduras, escudos e medos encarar o
desconhecido que vem atrás das masmorras e montanhas, com a senha secreta para
a liberdade, ou melhor, redenção da alma, como num dia de trevas, chuva e frio,
virasse tudo sol, praia e uma linda festa de carnaval, chamada amor.
Antes de oferecer seu coração para uma pessoa, se pergunte
quem é você? Na verdade, você não precisa perguntar nada, questionar nada,
escutar e falar quase nada, apenas viver como os primatas, que seguindo a
cadeia alimentar, e o ciclo do mundo da fauna, nasce, cresce, reproduz,
envelhece (com essa reforma da previdência...) e morre.
Não sei o que sou. Um apaixonado que um dia vai encontrar a
mulher amada, se casar e ter filhos, atendendo todo interesse da família
tradicional burguesa e sendo feliz para sempre; se vou ser essa pessoa que
busca o amor incessantemente e vou trocar de esposa toda hora, num complexo de
Fabio Jr., Gretchen e outros que amam de maneira intensa, se jogam, depois acaba
e recomeça novamente, com uma viagem a Paris (Nunca fui, nem sei se vou, mas
parece ser o cartão postal mundial do amor), a todo encontro com a paixão
intensa; um meio termo, que seria um casamento aberto, que entenderíamos o que
sentimos um pelo outro, mas nossa carne, coloca desafios e desejos para além
daquele relacionamento; ou casar normalmente e depois trair a esposa, como boa
parte dos homens na sociedade brasileira, seguindo a tradição de seus parentes,
amigos, colegas de trabalho, como coloquei em uma música (se eu conseguir
publicar, edito esta parte e coloco a mesma), exercendo o poder que os homens
heterossexuais tem na sociedade brasileira, sem se preocupar com as crianças,
com a esposa, com a casa, com os afetos, apenas com o ego e sua malandragem que
é em grande parte a realidade dos que vivem aqui; ou ainda a solidão, que você
de certa forma está acostumado e causa poucos estragos, que dialoga com
encontros sazonais, ou até uma ficante constante, que alimente o corpo na
carência e siga sua vida entre trabalho, amigos, eventos, viagens,
religiosidade, militância, etc., etc. e etc.;
Dentre todas as opções, nenhuma parece ser a certa, apenas
uma alternativa entre outras milhares de possibilidades de se relacionar com o
outro. Na verdade, você pode estar bem consigo mesmo, mas esse desejo de ir em
busca do outro coloca você diante de tais perguntas. Se você tem essa alma de
Nelson Rodrigues, que se joga de forma intensa, ardente e confusa nas relações,
de começos e recomeços, ok, se você é um cara mais calmo, que vive as coisas regradamente, como quem toma um chá inglês pontual como o relógio do Big Bang,
enfim, para tentar minimizar impactos, como quem diz:
-Olha sou o homem que o comercial da Qualy produziu, o mocinho
da novela, com cavalo branco e o escambau!
Ou
-Olha, eu sou um filho da puta, transei com muitas mulheres,
e você pode ser mais uma. Não é nada pessoal, mas eu gosto de sexo, mas não me
apego muito, ou vamos ver no que dá, se quiser a gente transa, beija e vê Netflix,
se não a gente bebe e te deixo em casa sem rolar nada, mas vamos tentar.
O interessante é tentar se conhecer o mais próximo possível
(se isso é possível, nesse processo de construção e reconstrução), chegar o
mais próximo do centro de um tornado que é sua cabeça, sua existência, ou você
quando conversa com seu ser. Olhando no espelho da alma, das cicatrizes, rugas,
cascos e descasos que você viveu, para tentar ser franco com o outro nesse
prato de entrada.
-Você quer entrar nesse caos? Bem-vinda, ou diria boa sorte? Uahuahuahuahauhaa
E daí seja o que Deus quiser. (Se você for ateu, o que a
biologia e os indicadores sociais proporcionarem de expectativa de vida para
seu grupo).
Ao adentrar na rotina de uma relação, exige a entrega. Você se
conhece, sabe a fera, a cólera, o leão que está em você, busca a paz e a calmaria,
que a alma reclama, mas sabe que essas aguas tranquilas passarão, e que você
virá como fênix, embrasando ao som de um pancadão querendo guerra, querendo
fogo, querendo gloria, Joana, Carol, ..., e aí? Vai sair como quem vai comprar
pão na padaria ou aprender a controlar seus demônios? Talvez por isso escreva,
por isso pergunte tanto a mim, ou deveria confiar nos calos que a vida dá, mas
eu, que sempre fui muito curioso, pergunto, para o mal maior evitar, de algo
que na verdade talvez não se possa controlar.
Roleta russa do futuro, múltiplas opções, para fugir do muro
das lamentações. Que seja eterno enquanto dure! O medo de escolher errado, o
peso do passado e a pressão social, colocam sexo e afeto, num patamar a quinta potência,
elevada ao quadrado, ao cubo e a puta que o pariu, a pressão sobre você, sobre
os seus amigos, parentes, enfim, em todos que vivem essa modernidade, ou pós
modernidade louca, que o clique do computador nos apresenta múltiplas opções, e
ficamos agoniados sem saber para que direção seguir, querendo tudo, não tendo
nada, e sendo uma expectativa ambulante e diante do muro de lamentações que é o
fracasso alcançado, o medo presente, e o futuro duvidoso (Bete balanço,
Cazuza).
Não sou um pé de Jequitibá, nem um canto da cigarra. Tenho a
existência secular que todos os humanos possuem. Nesses dias que me restam
(trintei já, rs rs), é de tentar sentir e se entregar ao que vier, se ela é a
princesa Fiona (Dona Gigi, os Caçadores), ou a princesa Branca de Neve (Mina do
Condomínio, Seu Jorge), não deve ser importante, sexo bom, ser um pouco doida e
me aturar (olha esse texto, você acha que esse autor é normal? Fala sério. Kkkkkk),
estará de bom tamanho. Talvez busque uma perfeição na escolha, pois eu, ou
melhor, ninguém busca ficar com alguém para depois separar, então primeiro
buscamos entender nossas cabeças doidas, depois se apaixonar (o que é mais
difícil, conforme o tempo, educação, classe social e visão de mundo que
atropela os indivíduos de diferentes maneiras. Bordieu fala disso!), e buscar essa
tal formula do amor (A formula do amor, Kid Abelha), para no final encontrar o próprio amor. (She, Elvis Costello).
Se se morre de amor - Trilogia
Este ato iria ser o último, mas por acasos da vida, influência
do autor, reflexões de outro planeta, cosmos, galáxia, sobrenatural,
desdobramentos mil, não foi possível concluir um texto que virou quatro e se
encerra adiante.
(Adultério, Mr. Catra; Tédio/Biquíni Cavadão)
O dia está quente, o verão chegou, o sol está pulsando,
batidas de todos os ritmos contagiam minha mente, meu corpo parece vibrar, está
eletrizado, energizado, irradiando vibrações a altas potencias, desafiando as
leis da física, apenas querendo explodir. De onde vem tal energia, de onde vem
tal potência, de onde vem tal frenesi? O corpo está precisando liberar essa
energia.
Os fracassos vão se acumulando, as experiências vão ficando, então eu vos pergunto, e agora José? Se joga, se joga, se joga (Naldo, Beni) feliz. Olhos castanhos, negros, loiros, redondos, finos, crespos, lisos, olhar de gueixa, paixões, desilusões, calor. (Solta essa porra, Mc. Copinho) O primeiro amor, foi aquele carrossel de emoções, de idas e vindas, de entregas e desilusões, o segundo amor, a maturidade, se o peito sempre foi vibrante, a mente estava verde, e a razão e a emoção, buscavam o tom certo. Nessa aquarela, chegamos ao homem formado (em tese, já que o processo de construção e mudanças é eterno, assim como a orientação sexual, pode ser não estática como apontam alguns estudiosos da psicologia), o fato é que o corpo pulsava demandas, que a monogamia, não permitia, a mente buscava explicações que não havia. Não diga que a fonte secou (Amor estou sofrendo, Jorge Aragão), e a vida segue, mas as perguntas não param. Qual a sua próxima questão? Qual a sua próxima indagação?
Não é um corpo de 17 anos, virgem, buscando os limites do
prazer e desprazer, o limite do corpo, as dúvidas eternas, e as paixões
intensas, de namoros rápidos como um giro da terra em torno de si, uma viagem
de avião entre Rio e São Paulo, uma mensagem no celular, um piscar de olhos,
uma atualização de postagens do Instagram! Nesse frenesi da juventude, tudo se
permite, se compreende, se justifica. É claro, com a devida responsabilidade,
que não possuímos, mas fica de lição as marcas. Nesse mar de
possibilidades e probabilidades, tudo é experiência. E quando você é mais
velho? Sofre uma, duas, três milhões de vezes. Carregando dentro de si as
marcas e angustias que Maysa, Marina Lima, Reginaldo Rossi, Tim Maia, Adriana
Calcanhoto, Nelson Ned e os demais Ritz da sofrência do forró, sertanejo, dos Ritz
dos anos 90, e outros mais antigos, que expressam da melhor forma como se
espanca um ser, sem lhe dar um único tapa. Só a ruptura de contrato faz tamanha
destruição. (Você não me ensinou a te esquecer, Caetano Veloso).
Você se joga nesse vale de lagrimas, e transforma tudo isso
em uma banheira do Gugu, uma festa que tem Mr. Catra como mestre de cerimonias.
Sodoma e Gomorra, teriam que sofrer três dilúvios, pedir música no fantástico
despois disso, regada de Chandon ostentação, Sangria de Boi, para demonstrar
humildade, roupas compradas do Leme ao Saara, para agregar a todos, muito risos
e alegrias, como a verdadeira despedida de solteiro pediria. E solta o som!!!
(Bonde do Nike air, Chatuba de Mesquita)
Depois de desbravar tantas vulvas, de tantas cores, tantas
musas, luas, nuas, putas, carne que escorre o suor montada sobre meu corpo, o
berro do gozo, o tapa na nádega, o dedinho entre o sagrado e o profano, de
sorvete faz – se o grelo, e a puxada de cabelo? Tu me sufocas entre teus
peitos, entre tuas pernas o ar se faz rarefeito, quando te pego por traz,
satisfaz de um jeito, que volto a ser um menino perdido num parque apertando o
botão do continue, mas depois da erupção, se fez calmaria, e a devassidão dá
lugar novamente a razão, fé, moral, pudor, padrão, objeto e objetificação, amor
e sexo, enfim, os óculos dos “tempos modernos. ”
Nesse frenesi do “amor”, como um touro, tudo se atropelou,
não sobrou espaço para cuidar do jardim, e atrair as borboletas. A primeira foi
recente, o coração ainda estava quente, nem deu tempo de sentir, quando vi,
corri e parti, a segunda foi mais tempo, foi bom em vários sentidos, mas como
estava preso ao passado, minha falta de confiança, acho que fez nela morrer a
esperança. A terceira foi além-mar, não sei como em tão curto espaço de tempo
foi meu ser arrebatar, essa quase estava a me levar, mas (Retalhos de Cetim,
Benito de Paula), e eu estava endiabrado nesse período, provavelmente, não
estávamos em mesma sintonia, foi o mais próximo do amor que eu pude chegar e
não sobrevivemos a quarta –feira de cinzas, no penúltimo bloco, já havíamos
virado pó. O que veio a posteriori foram
romances de folhetins, curtos como uma mini saia, como meu salário, Nutella na
geladeira! Foram bons, mas não floresceram por motivos simples: quando um não
quer, dois não brigam. Acredito que o combustível da criança, esteja reduzindo,
o que nos leva a novos caminhos...
