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Ótica Singular On domingo, 4 de março de 2018



Este ato iria ser o último, mas por acasos da vida, influência do autor, reflexões de outro planeta, cosmos, galáxia, sobrenatural, desdobramentos mil, não foi possível concluir um texto que virou quatro e se encerra adiante.

(Adultério, Mr. Catra; Tédio/Biquíni Cavadão)
O dia está quente, o verão chegou, o sol está pulsando, batidas de todos os ritmos contagiam minha mente, meu corpo parece vibrar, está eletrizado, energizado, irradiando vibrações a altas potencias, desafiando as leis da física, apenas querendo explodir. De onde vem tal energia, de onde vem tal potência, de onde vem tal frenesi? O corpo está precisando liberar essa energia.

Os fracassos vão se acumulando, as experiências vão ficando, então eu vos pergunto, e agora José? Se joga, se joga, se joga (Naldo, Beni) feliz. Olhos castanhos, negros, loiros, redondos, finos, crespos, lisos, olhar de gueixa, paixões, desilusões, calor. (Solta essa porra, Mc. Copinho) O primeiro amor, foi aquele carrossel de emoções, de idas e vindas, de entregas e desilusões, o segundo amor, a maturidade, se o peito sempre foi vibrante, a mente estava verde, e a razão e a emoção, buscavam o tom certo. Nessa aquarela, chegamos ao homem formado (em tese, já que o processo de construção e mudanças é eterno, assim como a orientação sexual, pode ser não estática como apontam alguns estudiosos da psicologia), o fato é que o corpo pulsava demandas, que a monogamia, não permitia, a mente buscava explicações que não havia. Não diga que a fonte secou (Amor estou sofrendo, Jorge Aragão), e a vida segue, mas as perguntas não param. Qual a sua próxima questão? Qual a sua próxima indagação?
Não é um corpo de 17 anos, virgem, buscando os limites do prazer e desprazer, o limite do corpo, as dúvidas eternas, e as paixões intensas, de namoros rápidos como um giro da terra em torno de si, uma viagem de avião entre Rio e São Paulo, uma mensagem no celular, um piscar de olhos, uma atualização de postagens do Instagram! Nesse frenesi da juventude, tudo se permite, se compreende, se justifica. É claro, com a devida responsabilidade, que não possuímos, mas fica de lição as marcas. Nesse mar de possibilidades e probabilidades, tudo é experiência. E quando você é mais velho? Sofre uma, duas, três milhões de vezes. Carregando dentro de si as marcas e angustias que Maysa, Marina Lima, Reginaldo Rossi, Tim Maia, Adriana Calcanhoto, Nelson Ned e os demais Ritz da sofrência do forró, sertanejo, dos Ritz dos anos 90, e outros mais antigos, que expressam da melhor forma como se espanca um ser, sem lhe dar um único tapa. Só a ruptura de contrato faz tamanha destruição. (Você não me ensinou a te esquecer, Caetano Veloso).
Você se joga nesse vale de lagrimas, e transforma tudo isso em uma banheira do Gugu, uma festa que tem Mr. Catra como mestre de cerimonias. Sodoma e Gomorra, teriam que sofrer três dilúvios, pedir música no fantástico despois disso, regada de Chandon ostentação, Sangria de Boi, para demonstrar humildade, roupas compradas do Leme ao Saara, para agregar a todos, muito risos e alegrias, como a verdadeira despedida de solteiro pediria. E solta o som!!!
(Bonde do Nike air, Chatuba de Mesquita)

Depois de desbravar tantas vulvas, de tantas cores, tantas musas, luas, nuas, putas, carne que escorre o suor montada sobre meu corpo, o berro do gozo, o tapa na nádega, o dedinho entre o sagrado e o profano, de sorvete faz – se o grelo, e a puxada de cabelo? Tu me sufocas entre teus peitos, entre tuas pernas o ar se faz rarefeito, quando te pego por traz, satisfaz de um jeito, que volto a ser um menino perdido num parque apertando o botão do continue, mas depois da erupção, se fez calmaria, e a devassidão dá lugar novamente a razão, fé, moral, pudor, padrão, objeto e objetificação, amor e sexo, enfim, os óculos dos “tempos modernos. ”
Nesse frenesi do “amor”, como um touro, tudo se atropelou, não sobrou espaço para cuidar do jardim, e atrair as borboletas. A primeira foi recente, o coração ainda estava quente, nem deu tempo de sentir, quando vi, corri e parti, a segunda foi mais tempo, foi bom em vários sentidos, mas como estava preso ao passado, minha falta de confiança, acho que fez nela morrer a esperança. A terceira foi além-mar, não sei como em tão curto espaço de tempo foi meu ser arrebatar, essa quase estava a me levar, mas (Retalhos de Cetim, Benito de Paula), e eu estava endiabrado nesse período, provavelmente, não estávamos em mesma sintonia, foi o mais próximo do amor que eu pude chegar e não sobrevivemos a quarta –feira de cinzas, no penúltimo bloco, já havíamos virado pó.  O que veio a posteriori foram romances de folhetins, curtos como uma mini saia, como meu salário, Nutella na geladeira! Foram bons, mas não floresceram por motivos simples: quando um não quer, dois não brigam. Acredito que o combustível da criança, esteja reduzindo, o que nos leva a novos caminhos...


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