Archive for fevereiro 2018
Se se morre de amor – Volume 2
(My Girl, The Temptations)
Um amor, um sonho, um arco íris, um pensamento, um sonho
lindo, violino, piano, violão, é só obra rara que compõe ao coração, esta, aquela
ou qualquer uma canção, que marca você naquele filme, com aquela música ou
aquele amor. Meu primeiro amor.
Aqui caímos nas mesmices de sempre sobre o que se cogita,
classifica, insinua-se sobre o amor. O amor e isso, aquilo, blá, blá blá para
lá, para cá, eu te amo (Rádio Blá, eu te amo). O que dizer sobre o amor?!
É um sexo sublime escutando música, com ela sobre seu corpo
e você sentindo estar em paz. Entre o amor cristão e o sexo pagão (Amor e Sexo,
Rita Lee), acredito que em alguns momentos da vida, você chega ao céu. Quando
duas almas se tocam. Foi num dia desses que cheguei ao Olimpo, falei com Zeus,
Deus, Ogum, Chiva, Jesus, Maomé, Davi, e todos eles que naquele dia acertaram.
O amor, paixão ou sei lá o que sobre isso, vem precedido de afeto, intensidade,
de cólera. Dentro de uma estrutura social, você se depara com alguns papeis,
algumas vontades que lhe corrompem a alma. Se este jarro, não ficar naquela
mesa, com aquelas flores, com a água vinda da fonte na puta que o pariu, naquele
canto da casa: pronto! Você não foi feliz, talvez deveríamos questionar o que
é, onde está a felicidade (Maria Carolina já escrevia sobre), mas isso é para o
próximo ato. Aqui o namoro assume sua forma plena, simples e singela. Pai, mãe,
irmão menor, gato, cachorro, passeios, cinemas, sorvetes. (Família, Titãs).
Você sente a paz invadindo o seu coração, os momentos acontecendo, os
comerciais da tv, (ainda que tenha poucos negros ou quase nenhum), em parte tudo
fazendo sentido. Vida da família burguesa lhe contagia e a gente vive!💗
Amor feito com aquelas flores de nomes complicados, citação
de música antiga, presentes melhores que os reis magos levaram pra Jesus. Os
teus cabelos sobre mim, a luz que descia do basculante, seu sussurro de ar, me
levaram ao céu. (Adele, set fire to the rain). A serenata, os passeios, os
momentos, as conversas, os amigos. Tudo foi um mundo mágico, que nós sempre
sonhamos e de certa forma, todo mundo que namora sonha. Weber diria um namoro ideal,
um tipo ideal, uma formula perfeita. Que foi dois em um, no primeiro ano, com a
imaturidade e malícia que qualquer aprendiz possui quando dá os primeiros
passos em qualquer tarefa que tenha se colocado à disposição.
(Outra Vez, Roberto Carlos)
Muitos não suportam nos musicais da maior emissora do país
nos especiais de ano, talvez o maior compositor seja Eramos Carlos, Tim Maia o mais talentoso, mas o que conseguiu mais sucesso por N motivos foi ele. O fato é que
essa música fez muito sentido quando acabou. Doeu em meu amago! Estava ali,
porque era bom, porque era cômodo, pelo que foi construído, ou porque não sabia
lidar com aquilo que foi, que era, que foi intenso, mas como toda estação,
estava partindo, estava minguando, estava dizendo tchau. Deixar algo bom
escorrer pelos dedos, como se você tentasse segurar a areia, ou os órgãos do corpo
depois de um tiro de fuzil (se sobreviver ao tiro por algum tempo, é óbvio), uma lagarta que
virará borboleta, mas essa não vai ser uma fase da vida, é a vida que havia em
mim que se foi. 🐛
Nosso relacionamento, nosso amor, ou ex amor (Ex amor,
Martinho da Vila), foi um lindo filme de cinema, não passou em Hollywood, mas
foi sucesso de bilheteria em meu coração, não ganhou o Grammy, mas foi a canção
que nunca vou esquecer, não é prêmio Nobel, mas nós sabemos que no mundo,
ninguém vai fazer o que a gente fez, e não poderíamos ficar no Guinness Book,
porque apenas os homens se superam. Nós sabemos que foi algo sobre-humano o que
vivemos.
As responsabilidades, as rotinas, a imaturidade, as
realizações ou confusões pessoais, os medos, os desejos, as dúvidas, outros
encantos, outros arranjos, a masculinidade equivocada, cegam o poeta, cai –se o
anjo, abandonam o menino e dão razão a fera, aos impulsos da carne, o lobisomem
que há em você, o desejo de ser homem feito, de ter histórias pra contar,
experiências pra viver, e mentiras pra compartilhar, um maquinista da ilusão,
desesperança, e ganancia, a cada corpo que encontra, a cada peito que habita a
cada ser que lhe atiça.
(The Look of Love, Diana Krall)
Se se morre de amor - Primeiro ato
Éramos jovens, de 15, 25, 30 e poucos
anos. As paixões, amores,
flertes, são confusos em nossa psique. Ficamos enrolados, envolvidos em tramas,
dramas, transas, relações que entranham, embaraçam nossos pensamentos, emoções,
sensações, corações. Não sabemos para onde ir, apenas seguimos o impulso da
vida, naquela lenta e aguda sinfonia que as primeiras interpretações do amor
nós configura. Quando amamos, amamos no superlativo, e quando terminamos, temos um
drama no superlativo. As sensações são de dimensões colossais, não se mensuram.
Somos eternas mares de calmaria e tormenta a cada encontro. Aquela
impulsividade juvenil que você desperta, sente e vive. A coisa de se jogar nos
primeiros encontros, que coisa boa, que coisa linda (Chega de saudade, João
Gilberto), e as emoções nos levam ao primeiro relacionamento. Quem é ela? Eu
vos pergunto. Quem é ela?
Fruto desse amor platônico, ela é teu primeiro sim,
teu primeiro ego correspondido, o primeiro amor social. Para você usar o
pronome possessivo, nenhum sujeito indefinido, o verbo sai do infinitivo para
virar um verbo regular conjugando na primeira pessoa:
Eu amo.
Você não dosa o que sente, se joga, nos beijos, nos amassos, nos desejos, nos embates, nos destroços, no caos, caso do descaso do acaso do destino, é um sentimento lindo que em você brotou.
Apresenta mãe, pai, tio, sobrinho, irmão, irmã, amigo,
colegas, rede social, família social, faz uma social, escolhe música social,
tem seus momentos sociais e momentos na intimidade. O que é o sexo com paixão?
Amor? É uma loucura, você goza na mão dela, na boca dela, dentro dela, molha
ela, você é dela...
E ela?
Ela diz que sente o brilho nos olhos, quando está
contigo, sente coisas, sente aquelas coisas que os filmes, as músicas, as poesias,
as cartas, os jovens, romancistas, literatos, mcs, djs, rappers, pintores,
escultores, grafiteiros, blogueiros, repentistas e demais arquitetos da emoção
tentam nomear, classificar, mensurar ou quantificar o que sentem. Tudo isso traduzido
num olhar que te alimenta a alma. (Dia a dia, lado a lado, Tulipa Ruiz E
Marcelo Jeneci), ao lado daquela mulher que lhe faziam tão bem, sensações
intensas, que o jovem fluminense nunca sentira.
(Four Seasons, Vivaldi)
A liquidez do amor, da vida, da modernidade, da
pós-modernidade. A festa começa a
mudar o clima, o som que alegra e contagia, parece virar melancolia, algo
triste fúnebre, como num funeral, os indícios da partida, que a viagem não
tinha sido concluída, que nós avançaremos para a próxima casa no tabuleiro, e o
jogo da vida ensinará a este jovem a lição de que pra sempre, sempre acaba.(Mudaram
as estações, Renato Russo), mais de quatro, talvez apenas uma, mas o suficiente
para perceber que as folhas de outono, o frio do inverno, a ausência
de calor e de flores em seu peito, deixam as coisas de um jeito que não há
combustível que sustente este ser que no peito nada sente. De amor, dor, de paz, briga, de cor, incolor, de sorriso, fez se melancolia que agora sangra o teu
coração. Ela, você, ela, você, ela, você, ela, você. Touche! Acabou. O primeiro
amor, se foi e não há o que fazer. Você vê em todo black na rua um pedaço de
você, que era ela, que não é mais ninguém! Não me entenda mal, ninguém quando
pensamos no casal, este ser, esta instituição, este contrato, esta ideia acabou,
mas a ideia, as emoções, os sentimentos estão fortes. Você pode procurar ela
mais uma vez, para ver, rever, justificar, mas acabou. Ela, virou memória,
virou passado, você conjuga agora no pretérito, ainda que seja o mais que
perfeito eu amara(nem tão perfeito assim), no presente sobrou a dor, os bons momentos que se foram, e
as dúvidas quanto ao futuro. E agora José?

