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Ótica Singular On terça-feira, 6 de fevereiro de 2018


Éramos jovens, de 15, 25, 30 e poucos 
anos. As paixões, amores, flertes, são confusos em nossa psique. Ficamos enrolados, envolvidos em tramas, dramas, transas, relações que entranham, embaraçam nossos pensamentos, emoções, sensações, corações. Não sabemos para onde ir, apenas seguimos o impulso da vida, naquela lenta e aguda sinfonia que as primeiras interpretações do amor nós configura. Quando amamos, amamos no superlativo, e quando terminamos, temos um drama no superlativo. As sensações são de dimensões colossais, não se mensuram. Somos eternas mares de calmaria e tormenta a cada encontro. Aquela impulsividade juvenil que você desperta, sente e vive. A coisa de se jogar nos primeiros encontros, que coisa boa, que coisa linda (Chega de saudade, João Gilberto), e as emoções nos levam ao primeiro relacionamento. Quem é ela? Eu vos pergunto. Quem é ela?
Fruto desse amor platônico, ela é teu primeiro sim, teu primeiro ego correspondido, o primeiro amor social. Para você usar o pronome possessivo, nenhum sujeito indefinido, o verbo sai do infinitivo para virar um verbo regular conjugando na primeira pessoa:
Eu amo.

Você não dosa o que sente, se joga, nos beijos, nos amassos, nos desejos, nos embates, nos destroços, no caos, caso do descaso do acaso do destino, é um sentimento lindo que em você brotou.
Apresenta mãe, pai, tio, sobrinho, irmão, irmã, amigo, colegas, rede social, família social, faz uma social, escolhe música social, tem seus momentos sociais e momentos na intimidade. O que é o sexo com paixão? Amor? É uma loucura, você goza na mão dela, na boca dela, dentro dela, molha ela, você é dela...
E ela?
Ela diz que sente o brilho nos olhos, quando está contigo, sente coisas, sente aquelas coisas que os filmes, as músicas, as poesias, as cartas, os jovens, romancistas, literatos, mcs, djs, rappers, pintores, escultores, grafiteiros, blogueiros, repentistas e demais arquitetos da emoção tentam nomear, classificar, mensurar ou quantificar o que sentem. Tudo isso traduzido num olhar que te alimenta a alma. (Dia a dia, lado a lado, Tulipa Ruiz E Marcelo Jeneci), ao lado daquela mulher que lhe faziam tão bem, sensações intensas, que o jovem fluminense nunca sentira.

(Four Seasons, Vivaldi)

A liquidez do amor, da vida, da modernidade, da pós-modernidade. A festa começa a mudar o clima, o som que alegra e contagia, parece virar melancolia, algo triste fúnebre, como num funeral, os indícios da partida, que a viagem não tinha sido concluída, que nós avançaremos para a próxima casa no tabuleiro, e o jogo da vida ensinará a este jovem a lição de que pra sempre, sempre acaba.(Mudaram as estações, Renato Russo), mais de quatro, talvez apenas uma, mas o suficiente para perceber que as folhas de outono, o frio do inverno, a ausência de calor e de flores em seu peito, deixam as coisas de um jeito que não há combustível que sustente este ser que no peito nada sente. De amor, dor, de paz, briga, de cor, incolor, de sorriso, fez se melancolia que agora sangra o teu coração. Ela, você, ela, você, ela, você, ela, você. Touche! Acabou. O primeiro amor, se foi e não há o que fazer. Você vê em todo black na rua um pedaço de você, que era ela, que não é mais ninguém! Não me entenda mal, ninguém quando pensamos no casal, este ser, esta instituição, este contrato, esta ideia acabou, mas a ideia, as emoções, os sentimentos estão fortes. Você pode procurar ela mais uma vez, para ver, rever, justificar, mas acabou. Ela, virou memória, virou passado, você conjuga agora no pretérito, ainda que seja o mais que perfeito eu amara(nem tão perfeito assim), no presente sobrou a dor, os bons momentos que se foram, e as dúvidas quanto ao futuro. E agora José?

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