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Ótica Singular On segunda-feira, 17 de março de 2014


      Algo saboroso, lindo, a gota de suor descendo da latinha, uma golada neste calor dos trópicos é envolvente! Fundamental para completar os elementos químicos ausentes em seu corpo. Mais que uma bebida saborosa, é um vício, um vício para esconder os outros. Não me venha com o seu linguajar crente, conservador de querer falar mal e o escambau, se você não é atleta, pode beber que faz bem. Tem estudo recente dizendo que faz bem pra saúde!Não falo aqui dos alcoólatras, que são tristemente dependentes, não, falo sim dos degustadores de cevada.

Se não faz bem que mal tem?

   Os destilados! Beber, mesmo que pequenas gotas, um destilado, as meninas adoram um quente! Lindo de ver, melhor ainda de beber, os drinks com inúmeras cores, vai colorindo à tarde, à noite, na pista, no bar, na varanda, onde você estiver. A bebida esconde as inúmeras frustrações, decepções que a vida acarreta; atrás de um garçom, Reginaldo já dizia os dramas que o coração vai relatando. O colorido esconde o cinza do cotidiano pacato. Temos que esconder as mágoas dos chifres, do traidor ou do traído, da perda, ou da manutenção, da dor que só os amantes conhecem bem, os casais não enamorados mostram o que é relacionamento pra sociedade menos pra eles mesmos. Estranho não? Nada é mais estranho que esconder as frustrações do dia-a-dia nesses cereais fermentados, da infelicidade sóbria que a razão nos condiciona. A falta de dinheiro, a namorada que pressiona o casório, o amor no fim, a perda de emprego, a briga com parentes, a tristeza de estar num emprego de merda, a chegada da ordem de despejo, uma conta pra pagar, a perda de um paciente ou a simples labuta de um trabalho duro, por vezes prazeroso, geralmente que faz a garganta fiar seca de sapos, que todos nos que engolimos ao longo da vida, aqueles que colocaram a gente diante da inércia, da impotência de mudar, ou convicções que nos trancam, emperram nossa expansão, enfim, uma lata de cerveja em qualquer lugar, para homens uivantes do trem exalando sua masculinidade olhando a mulata dançando no meio do vagão do samba, é apenas uma cultura, um ritual de toda sexta – feira, para eles pode ser diversão, mas para muitos é uma fuga das patologias da modernidade que nos obrigam a ter tudo, quando temos a sensação de que não temos nada, quando tudo não passa de uma questão de consumo. Consumo apenas de nossa própria existência.


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