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- Se se morre de amor – Parte 4
Ótica Singular
On domingo, 11 de março de 2018
Caro leitor, não foi pensando em fazer 3 atos, nem falar
sobre as vidas passadas, presentes e futuras, mas chegamos até aqui por conta
das escolhas realizadas, por um dos últimos animais, sereno,
infantil, racional, lúdico e romântico. (Último Romântico, Lulu Santos)
Porque vos escrevo? Talvez em busca de respostas que não
estão nas bancas, prateleiras do mercado, num show qualquer, no trabalho, no
poder de compra, na imagem da mulher ideal. Mulher nota 1000, criada, de nossas
ficções, ilusões, hologramas da vida que projetam as expectativas/imagem/hegemônico/padrão/loira/alta/magra/olhos
azuis/modelada zona sul/ou barra/projetada/criada/herdada que alimenta as
expectativas, sonhos de consumo masculino. Tudo isso criação. Homem primata,
capitalismo selvagem. Ohhhh, (Homem Primata, Titãs) pensar que construímos
castelos de tipos ideais de certo e errado, bem e mal, sucesso e fracasso,
bonito e feio. O que seria bonito? A essência da alma ou o que alimenta os
olhos? Ou um meio termo? Ou apenas a hipocrisia, dissimulada de “gosto”, jeito,
destino, acaso? Sabemos disso e não controlamos, ou nos descontrolamos conforme
as emoções, desejos e afetos que o outro nos gera. Dentro desta bolha, desta
cela, moda, vestido de cetim, pensamos em uma batalha secular, que entre a
razão (imagem) e a emoção (o ser e sua personalidade), apenas dentro das
estruturas que fomos criados, nós lançamos ao desconhecido e buscamos achar um
ponto final nessa busca incessante do amor.
Se se morre de amor,
como Gonçalves Dias coloca em sua poesia? Eu
sei que vou te amar. Como na música de Vinícius ou no filme de Arnaldo Jabor?
Não deixar a rotina consumir, como no filme Como
se fosse a primeira vez. Ou Cidade
dos anjos que voltamos a uma abstração do realismo fantástico na busca do
divino, com a poesia parnasiana, ao encontro de um amor declamado pela métrica,
e expansivo e denso como o sobrenatural e mundo extra-sensorial que a
mortalidade nos apresenta. Nessa busca, nessas perguntas, nessas angustias, nessas
confusões, desilusões, decepções, de quem feriu e foi ferido, quem fez doer e
doeu, quem foi herói e bandido, vilão e mocinho, quem sentiu as dores do mundo,
num segundo que o coração era de gelo, derreteu e depois do segundo sol,
morreu.
Este momento de experiências, buscas e desalentos, o amor
parece algo distante e perto, pelas dores que queremos evitar, e pelos desejos
que alimentamos na alma. Então seguimos o itinerário da vida arriscando um
pouco mais e buscando com nossas armaduras, escudos e medos encarar o
desconhecido que vem atrás das masmorras e montanhas, com a senha secreta para
a liberdade, ou melhor, redenção da alma, como num dia de trevas, chuva e frio,
virasse tudo sol, praia e uma linda festa de carnaval, chamada amor.
Antes de oferecer seu coração para uma pessoa, se pergunte
quem é você? Na verdade, você não precisa perguntar nada, questionar nada,
escutar e falar quase nada, apenas viver como os primatas, que seguindo a
cadeia alimentar, e o ciclo do mundo da fauna, nasce, cresce, reproduz,
envelhece (com essa reforma da previdência...) e morre.
Não sei o que sou. Um apaixonado que um dia vai encontrar a
mulher amada, se casar e ter filhos, atendendo todo interesse da família
tradicional burguesa e sendo feliz para sempre; se vou ser essa pessoa que
busca o amor incessantemente e vou trocar de esposa toda hora, num complexo de
Fabio Jr., Gretchen e outros que amam de maneira intensa, se jogam, depois acaba
e recomeça novamente, com uma viagem a Paris (Nunca fui, nem sei se vou, mas
parece ser o cartão postal mundial do amor), a todo encontro com a paixão
intensa; um meio termo, que seria um casamento aberto, que entenderíamos o que
sentimos um pelo outro, mas nossa carne, coloca desafios e desejos para além
daquele relacionamento; ou casar normalmente e depois trair a esposa, como boa
parte dos homens na sociedade brasileira, seguindo a tradição de seus parentes,
amigos, colegas de trabalho, como coloquei em uma música (se eu conseguir
publicar, edito esta parte e coloco a mesma), exercendo o poder que os homens
heterossexuais tem na sociedade brasileira, sem se preocupar com as crianças,
com a esposa, com a casa, com os afetos, apenas com o ego e sua malandragem que
é em grande parte a realidade dos que vivem aqui; ou ainda a solidão, que você
de certa forma está acostumado e causa poucos estragos, que dialoga com
encontros sazonais, ou até uma ficante constante, que alimente o corpo na
carência e siga sua vida entre trabalho, amigos, eventos, viagens,
religiosidade, militância, etc., etc. e etc.;
Dentre todas as opções, nenhuma parece ser a certa, apenas
uma alternativa entre outras milhares de possibilidades de se relacionar com o
outro. Na verdade, você pode estar bem consigo mesmo, mas esse desejo de ir em
busca do outro coloca você diante de tais perguntas. Se você tem essa alma de
Nelson Rodrigues, que se joga de forma intensa, ardente e confusa nas relações,
de começos e recomeços, ok, se você é um cara mais calmo, que vive as coisas regradamente, como quem toma um chá inglês pontual como o relógio do Big Bang,
enfim, para tentar minimizar impactos, como quem diz:
-Olha sou o homem que o comercial da Qualy produziu, o mocinho
da novela, com cavalo branco e o escambau!
Ou
-Olha, eu sou um filho da puta, transei com muitas mulheres,
e você pode ser mais uma. Não é nada pessoal, mas eu gosto de sexo, mas não me
apego muito, ou vamos ver no que dá, se quiser a gente transa, beija e vê Netflix,
se não a gente bebe e te deixo em casa sem rolar nada, mas vamos tentar.
O interessante é tentar se conhecer o mais próximo possível
(se isso é possível, nesse processo de construção e reconstrução), chegar o
mais próximo do centro de um tornado que é sua cabeça, sua existência, ou você
quando conversa com seu ser. Olhando no espelho da alma, das cicatrizes, rugas,
cascos e descasos que você viveu, para tentar ser franco com o outro nesse
prato de entrada.
-Você quer entrar nesse caos? Bem-vinda, ou diria boa sorte? Uahuahuahuahauhaa
E daí seja o que Deus quiser. (Se você for ateu, o que a
biologia e os indicadores sociais proporcionarem de expectativa de vida para
seu grupo).
Ao adentrar na rotina de uma relação, exige a entrega. Você se
conhece, sabe a fera, a cólera, o leão que está em você, busca a paz e a calmaria,
que a alma reclama, mas sabe que essas aguas tranquilas passarão, e que você
virá como fênix, embrasando ao som de um pancadão querendo guerra, querendo
fogo, querendo gloria, Joana, Carol, ..., e aí? Vai sair como quem vai comprar
pão na padaria ou aprender a controlar seus demônios? Talvez por isso escreva,
por isso pergunte tanto a mim, ou deveria confiar nos calos que a vida dá, mas
eu, que sempre fui muito curioso, pergunto, para o mal maior evitar, de algo
que na verdade talvez não se possa controlar.
Roleta russa do futuro, múltiplas opções, para fugir do muro
das lamentações. Que seja eterno enquanto dure! O medo de escolher errado, o
peso do passado e a pressão social, colocam sexo e afeto, num patamar a quinta potência,
elevada ao quadrado, ao cubo e a puta que o pariu, a pressão sobre você, sobre
os seus amigos, parentes, enfim, em todos que vivem essa modernidade, ou pós
modernidade louca, que o clique do computador nos apresenta múltiplas opções, e
ficamos agoniados sem saber para que direção seguir, querendo tudo, não tendo
nada, e sendo uma expectativa ambulante e diante do muro de lamentações que é o
fracasso alcançado, o medo presente, e o futuro duvidoso (Bete balanço,
Cazuza).
Não sou um pé de Jequitibá, nem um canto da cigarra. Tenho a
existência secular que todos os humanos possuem. Nesses dias que me restam
(trintei já, rs rs), é de tentar sentir e se entregar ao que vier, se ela é a
princesa Fiona (Dona Gigi, os Caçadores), ou a princesa Branca de Neve (Mina do
Condomínio, Seu Jorge), não deve ser importante, sexo bom, ser um pouco doida e
me aturar (olha esse texto, você acha que esse autor é normal? Fala sério. Kkkkkk),
estará de bom tamanho. Talvez busque uma perfeição na escolha, pois eu, ou
melhor, ninguém busca ficar com alguém para depois separar, então primeiro
buscamos entender nossas cabeças doidas, depois se apaixonar (o que é mais
difícil, conforme o tempo, educação, classe social e visão de mundo que
atropela os indivíduos de diferentes maneiras. Bordieu fala disso!), e buscar essa
tal formula do amor (A formula do amor, Kid Abelha), para no final encontrar o próprio amor. (She, Elvis Costello).
Que energias intensa. Voce precisa de libertar dessa prisao do passado, a vida é dinamismo. Amar é bom. Aproveite. Leveza!
ResponderExcluirObrigado pela leitura e carinho.
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